“Quanto tempo vai levar?” é a primeira pergunta que todo founder faz ao decidir vender a empresa — e a resposta honesta é: depende de fase que ele ainda não conhece.
1. Preparação (2 a 4 meses)
Antes de qualquer conversa com comprador, a empresa organiza documentação financeira, jurídica e societária, monta o material de apresentação (teaser e infomemo) e, muitas vezes, resolve pendências que apareceriam como red flag na due diligence — contratos mal formalizados, passivos trabalhistas, cap table desatualizada. Empresas que já mantêm governança organizada cortam esse tempo à metade; as que não têm, frequentemente descobrem problemas que atrasam todo o processo mais adiante.
2. Originação e Negociação Inicial (2 a 3 meses)
É a fase de mapear e abordar compradores potenciais, apresentar o blind teaser, assinar NDAs e conduzir as primeiras reuniões. Termina com o recebimento de uma ou mais LOIs ou term sheets não vinculantes, que sinalizam interesse real em avançar.
3. Due Diligence (2 a 4 meses)
A fase mais imprevisível. O comprador investiga contabilidade, fiscal, jurídico, trabalhista e comercial. É aqui que deals mais frequentemente atrasam ou caem — não porque o negócio é mau, mas porque a documentação não sustenta o que foi apresentado inicialmente. Empresas preparadas passam por essa fase em semanas; as que não estão, podem levar meses reunindo documentação que deveria já estar pronta.
4. Fechamento (1 a 2 meses)
Negociação final do SPA, definição de cláusulas de earn-out ou lock-up, e então signing e closing. Mesmo com tudo acordado, questões regulatórias ou de aprovação societária podem estender esse prazo.
Prazo total realista: de 7 a 13 meses, dependendo do tamanho da empresa, da complexidade societária e do quanto de organização já existia antes do processo começar. Founders que tratam a preparação como parte do processo — e não como etapa burocrática — conseguem cortar meses do prazo total.