Oito movimentos de M&A decodificados com dados públicos primários (DFP e ITR da Méliuz S.A.) — Picodi (2021), Promobit (2021), Melhor Plano (2021), Alter Pagamentos (2021), Gana Internet (2020-2022), Grupo Acesso/Bankly (2022), venda ao Banco BV (2023), Zoppy (2024)
M&A Deal Decoder · Data da análise: 02 de agosto de 2026
Sumário Executivo
| # | Deal | Data | Tipo | Valor exato | Fonte primária |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Picodi.com S.A. | fev/2021 | Aquisição (51,2%) | R$118.596.000 | Nota 3, DFP 2021 |
| 2 | Promobit | mai/2021 | Aquisição (100%) | R$20.498.000 | Nota 3, DFP 2021 |
| 3 | Melhor Plano | mai/2021 | Aquisição (100%) | R$22.444.000 | Nota 3, DFP 2021 |
| 4 | Alter Pagamentos (cripto) | out/2021 | Aquisição (100%) | R$12.829.000 | Nota 3, DFP 2021 |
| 5 | Gana Internet | jul/2020 → set/2021 → nov/2022 | Aquisição (51%) → compra 49% → venda 100% | Compra 49%: R$1.000.000 / Venda: R$2.000.000 | Nota 3, DFP 2021 e DFP 2023 |
| 6 | Grupo Acesso (Acessopar + Bankly) | anunciado nov/2021, fechado mai/2022 | Aquisição de controle | R$197.421.000 | Nota 3, DFP 2023 |
| 7 | Acessopar + Bankly → BV | fechado 27/11/2023 | Venda (desinvestimento) | R$227.566.000 | Nota 24, DFP 2023 |
| 8 | Zoppy Tecnologia | abr/2024 | Aquisição minoritária (19,4%) | R$2.900.000 | Nota 1/8, ITR 2T24 |
Todos os valores abaixo foram convertidos das demonstrações financeiras, que reportam “em milhares de reais” — a conversão para reais exatos é feita multiplicando por 1.000 (ex.: nota reporta “118.596” → R$118.596.000).
Deal 1 — Méliuz × Picodi.com S.A.
1. O Deal em Uma Frase
A Méliuz usou o caixa do IPO para comprar o controle de uma plataforma de cupons polonesa com presença em ~40 países, sua primeira grande aposta de internacionalização — aposta que seria parcialmente revertida três anos depois com a baixa integral do ágio.
2. Quem Comprou Quem
Compradora: Méliuz S.A., B3: CASH3, plataforma brasileira de cashback e marketplace de cupons.
Adquirida: Picodi.com S.A., sediada na Polônia, plataforma de cupons de desconto e códigos promocionais presente em mais de 40 países, conectando (à época) mais de 12 mil lojas online a 4 milhões de usuários mensais.
Data do fechamento: 26 de fevereiro de 2021.
Percentual adquirido: 51,1497% (51,2%).
3. Os Números do Deal
- Contraprestação total: R$118.596.000
- Ativos identificáveis a valor justo: R$84.566.000
- Passivos assumidos: R$(6.856.000)
- Ativos líquidos identificáveis: R$77.710.000
- Participação de não controladores (valor justo): R$(37.911.000)
- Ágio (goodwill): R$78.797.000
- Passivo financeiro pela opção de compra dos 48,8% remanescentes (reg. 31/12/2021): R$41.314.000
- Patrimônio líquido da Picodi na data da aquisição: R$29.284.000
- Impairment do ágio (registrado em 30/06/2024): R$78.797.000 (ágio integral) + R$955.000 (marca) = R$79.752.000
Estrutura de pagamento (caixa vs. ações vs. earn-out) não é detalhada de forma segregada na Nota 3 para este deal especificamente — a nota reporta apenas o valor total do investimento.
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Fundada em: 2010.
Sede: Polônia, com operação em múltiplos países.
Total captado / rodadas anteriores / valuation pré-deal: não localizado nos documentos públicos consultados (empresa europeia, sem divulgação em bases brasileiras).
A Méliuz manteve os vendedores com os 48,8% remanescentes e negociou opção de compra do saldo condicionada a metas de performance nos 3–4 anos seguintes.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis? Ganho de escala e volume para o marketplace próprio, além de expor a Méliuz a mercados internacionais — parte de uma estratégia de diversificação geográfica financiada pelo caixa levantado no IPO de novembro/2020.
Por que fez sentido (ou não)? A tese fazia sentido no papel — cupom/cashback é um modelo replicável geograficamente — mas a integração de uma operação europeia a partir do Brasil, sem presença local prévia da Méliuz, elevou o risco de execução. O desfecho parcial (impairment total do ágio em 2T24) sugere que a geração de caixa projetada na aquisição não se materializou.
Sinergias esperadas: cross-selling de marcas parceiras, tecnologia compartilhada, ganho de escala em cupons.
Riscos: risco cambial (operação em euros/zlóti), dependência de equipe local sem histórico prévio com a Méliuz, opção de compra dos 48,8% remanescentes criando passivo financeiro relevante independentemente do desempenho.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
Sim — é o primeiro de uma sequência de aquisições financiadas pelo caixa do IPO em 2021 (Picodi, Promobit, Melhor Plano, Alter), todas com ágio elevado sobre ativos líquidos pequenos, típico de aquisições de tecnologia/marca em estágio de crescimento.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- Qual foi o valuation da Picodi nas eventuais rodadas de capital anteriores à venda?
- A opção de compra dos 48,8% remanescentes chegou a ser exercida ou foi renegociada após o impairment de 2024?
- Quais métricas específicas (GMV, receita, usuários) motivaram o valor pago, já que a nota não detalha múltiplos?
8. Fontes Consultadas
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2021, Méliuz S.A. (ri.meliuz.com.br)
- Nota 12 “Intangível”, DFP 2023, Méliuz S.A.
- Nota 8 e 11 “Investimentos” e “Intangível”, ITR 2T24, Méliuz S.A.
Deal 2 — Méliuz × Promobit
1. O Deal em Uma Frase
A Méliuz comprou a maior comunidade colaborativa de cupons e promoções do Brasil por um valor relativamente baixo — e a Promobit superou as metas de earn-out já no primeiro ano, quase dobrando a estimativa de valor a pagar.
2. Quem Comprou Quem
Compradora: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Adquirida: Promobit Serviços de Tecnologia Digital Ltda., plataforma que promove a troca de informações e opiniões sobre produtos e promoções entre usuários — comunidade colaborativa de “caça-promoções”.
Data do fechamento: maio de 2021.
Percentual adquirido: 100%.
3. Os Números do Deal
- Contraprestação total: R$20.498.000
- Parcela inicial: R$13.000.000 (paga em caixa: R$10.000.000; retida para contingências: R$2.849.000)
- Ajuste de capital de giro (pago em 2021): R$216.000
- Earn-out estimado na aquisição: R$7.433.000 (R$2.700.000 em 2023 + R$4.733.000 em 2024, a valor presente)
- Ativos líquidos identificáveis a valor justo: R$13.047.000
- Ágio (goodwill): R$7.451.000
- Patrimônio líquido da Promobit na aquisição: R$905.000
- Earn-out revisado em 31/12/2021 (após superar metas): R$12.546.000 (R$5.195.000 em 2023 + R$7.351.000 em 2024)
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Modelo de negócio: comunidade colaborativa onde usuários postam e validam promoções entre si — modelo de UGC (user-generated content) aplicado a e-commerce.
Total captado / investidores / valuation pré-deal: não localizado nos documentos públicos consultados.
Receita líquida no ano da aquisição (maio/2021, ano completo pro forma): R$2.882.000, com lucro líquido de R$1.081.000.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis? Ganho de escala e volume para o marketplace próprio da Méliuz, capturando tráfego e audiência de um público já engajado em busca de promoções.
Por que fez sentido? Mesma base de usuário-alvo, sinergia direta de tráfego, ticket de aquisição baixo (R$20,5 milhões) frente ao potencial de cross-sell. O aumento do earn-out estimado de R$7,4 milhões para R$12,5 milhões em menos de um ano é evidência de que a aposta funcionou operacionalmente.
Sinergias esperadas: tráfego cruzado entre Méliuz e Promobit, monetização via marketplace de cupons.
Riscos: dependência de conteúdo gerado por usuários, concentração de earn-out em poucos anos gerando pressão de caixa.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
Sim — ticket pequeno, ágio moderado (36% do investimento), earn-out estruturado em 2-3 anos: padrão repetido em Melhor Plano e Alter no mesmo ciclo de aquisições de 2021.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- O earn-out revisado (R$12,5 milhões) foi efetivamente pago integralmente em 2023/2024?
- Os fundadores da Promobit permaneceram na operação pós-aquisição?
- Como a Promobit se posiciona hoje dentro do segmento “B2C Nacional” da Méliuz frente à baixa de impairment sofrida pela Picodi?
8. Fontes Consultadas
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2021, Méliuz S.A.
- Nota 12 “Intangível”, DFP 2023, Méliuz S.A. (ágio final: R$7.716.000)
Deal 3 — Méliuz × Melhor Plano
1. O Deal em Uma Frase
No mesmo mês em que comprou a Promobit, a Méliuz adquiriu um marketplace de comparação de planos de telecom e serviços financeiros — outra aposta pequena que, como a Promobit, superou fortemente as metas de earn-out.
2. Quem Comprou Quem
Compradora: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Adquirida: Melhor Plano Internet Ltda., marketplace de comparação de planos e pacotes de telecomunicações e serviços financeiros.
Data do fechamento: maio de 2021.
Percentual adquirido: 100%.
3. Os Números do Deal
- Contraprestação total: R$22.444.000
- Parcela inicial: R$10.845.000 (paga em caixa: R$10.317.000; retida para contingências: R$481.000)
- Ajuste de capital de giro (pago em 2021, incluído na parcela inicial): R$528.000
- Earn-out estimado na aquisição (a pagar em 2024): R$11.118.000
- Ativos líquidos identificáveis a valor justo: R$7.606.000
- Ágio (goodwill) — alocação preliminar 2021: R$14.838.000
- Ágio (goodwill) — valor final, DFP 2023: R$14.961.000
- Patrimônio líquido da Melhor Plano na aquisição: R$480.000
- Earn-out revisado em 31/12/2021: R$19.358.000
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Modelo de negócio: comparador de planos de telecom/financeiros — monetização via comissão de originação para operadoras/bancos parceiros.
Total captado / investidores / valuation pré-deal: não localizado nos documentos públicos consultados.
Receita líquida no período pro forma da aquisição: R$2.460.000, lucro líquido de R$405.000.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis? Mesmo racional da Promobit: ganho de escala e volume no marketplace próprio, agora em uma vertical adjacente (comparação de serviços recorrentes) com potencial de monetização por lead qualificado.
Por que fez sentido? O salto do earn-out estimado (de R$11,1 milhões para R$19,4 milhões em sete meses) é o sinal mais forte entre os quatro deals de 2021 de que a integração funcionou operacionalmente logo de início.
Sinergias esperadas: cross-sell de ofertas de telecom/financeiras para a base de usuários Méliuz, diversificação de receita para além de cashback puro.
Riscos: dependência de comissionamento de operadoras/bancos parceiros, earn-out elevado relativo ao investimento inicial pressionando caixa em 2024.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
Sim, mesmo padrão de Promobit e Alter: ticket pequeno-médio, forte peso de earn-out na estrutura de pagamento, ágio superior a 100% do investimento inicial em caixa.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- O earn-out de R$19,4 milhões foi pago integralmente em 2024?
- Por que o ágio final (R$14.961.000) divergiu da alocação preliminar (R$14.838.000)?
- Como a Melhor Plano performou dentro do segmento “Outros” da Méliuz nos resultados mais recentes?
8. Fontes Consultadas
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2021, Méliuz S.A.
- Nota 12 “Intangível”, DFP 2023, Méliuz S.A.
- Nota 8 “Investimentos”, ITR 2T24, Méliuz S.A.
Deal 4 — Méliuz × Alter Pagamentos (“Alterbank”)
1. O Deal em Uma Frase
A Méliuz comprou uma fintech de criptoativos com patrimônio líquido negativo — pagando quase inteiramente por tecnologia e regulatório — anunciando publicamente R$25.900.000, valor bem acima da contraprestação de R$12.829.000 reconhecida contabilmente, mesmo padrão de gap entre “valor anunciado” e “valor contábil” visto no deal do Grupo Acesso/Bankly.
2. Quem Comprou Quem
Compradora: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Adquirida: Alter Pagamentos Ltda. (marca “AlterBank”), startup de criptoativos desde 2018, com carteira de criptomoedas integrada a conta digital e cartão pré-pago.
Data do anúncio (Fato Relevante): 29-30 de julho de 2021.
Data do fechamento contábil: outubro de 2021.
Percentual adquirido: 100%.
3. Os Números do Deal — dois valores, duas fontes
- Valor anunciado na imprensa/Fato Relevante (jul/2021): R$25.900.000 — Fonte: Fato Relevante CVM, citado por Baguete e Brazil Journal
- Contraprestação total reconhecida na DFP (out/2021): R$12.829.000 — Nota 3, DFP 2021, sendo: parcela inicial R$10.200.000 (paga em caixa R$9.132.000; retida para contingências R$1.068.000); ajuste de capital de giro R$12.000; earn-out estimado (a pagar em 2025) R$2.641.000
- Ativos líquidos identificáveis a valor justo: R$196.000
- Ágio (goodwill): R$12.633.000 (98% da contraprestação)
- Patrimônio líquido da Alter na aquisição (negativo): R$(7.366.000)
- Earn-out revisado em 31/12/2021: R$1.741.000
Por que os dois números não batem: mesma dinâmica observada no Grupo Acesso/Bankly (R$324,5 milhões anunciados vs. R$197.421.000 reconhecidos contabilmente). Não localizei o texto integral do Fato Relevante da Alter para confirmar a composição exata do R$25,9 milhões, mas a imprensa associa esse número à narrativa de retorno da CapTable: a Alter foi avaliada em R$15.000.000 numa rodada de crowdfunding em out/nov de 2020, e a venda por R$25,9 milhões representou uma valorização de ~73% em nove meses. É possível que o valor anunciado reflita o teto contratual do earn-out não descontado somado à parcela inicial, enquanto a Nota 3 reconhece apenas a estimativa de earn-out provável a valor presente. Reconciliação provável, não confirmada por documento primário direto.
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Atuando desde 2018 no mercado de criptoativos, marca “AlterBank”. Fundadores: Thales Henrique do Couto Marques e Vinicius Frias — ambos permaneceram como executivos da Méliuz após a aquisição (Vinicius Frias seguiu como CEO da Alter). Fonte: Baguete e Brazil Journal.
Captação pré-deal via CapTable (out/nov 2020): R$2.100.000 captados junto a 768-788 investidores, com valuation da rodada em R$15.000.000. Retorno dos investidores no exit: ~73% de valorização em nove meses.
Métricas operacionais no momento da venda: 110 mil clientes; faturamento de ~R$3.100.000 nos últimos 12 meses; volume de R$184.000.000 negociado em criptoativos no 1S21.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis? Diversificação para serviços financeiros digitais e exposição a criptoativos, complementando a tese de “super-app” financeiro também perseguida com Bankly/Acesso na mesma época.
Por que fez sentido (ou não)? O preço pago quase inteiramente como ágio (98%) sobre uma empresa com PL negativo mostra que foi essencialmente uma compra de tecnologia, licença regulatória e time — aposta de alto risco/alto retorno típica de fintech em estágio inicial.
Sinergias esperadas: oferta de produto cripto dentro do app Méliuz, diversificação de receita para conta digital/pagamentos.
Riscos: regulação cripto incipiente no Brasil em 2021, dependência de mercado volátil, PL negativo indicando necessidade de aportes futuros.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
Sim, quanto à estrutura, mas é o deal com maior proporção de ágio sobre o total pago entre os quatro de 2021 — reflexo de ser a aposta mais “early stage” do grupo.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- Qual a composição exata do valor de R$25.900.000 anunciado no Fato Relevante?
- O ágio de R$12.633.000 sofreu impairment além do ciclo 2023/2024 (nenhuma baixa registrada até 30/06/2024)?
- Qual o volume de usuários/carteiras ativas da Alter além dos 110 mil clientes reportados pela imprensa?
8. Fontes Consultadas
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2021, Méliuz S.A.
- Nota 12 “Intangível”, DFP 2023, Méliuz S.A. (ágio mantido, sem impairment)
- Méliuz compra Alter por R$ 25,9 milhões — Baguete, 30/07/2021
- Méliuz compra banco digital de criptomoedas — Brazil Journal, 29/07/2021
Deal 5 — Méliuz × Gana Internet (aquisição e venda)
1. O Deal em Uma Frase
Um ativo pequeno e pouco divulgado: a Méliuz comprou o controle da Gana Internet em sociedade com a Mobills Labs, absorveu os 49% remanescentes com um “ganho de compra vantajosa” contábil, e vendeu a empresa inteira a uma pessoa física por R$2.000.000 quinze meses depois — parte da faxina de ativos não-core em 2022.
2. Quem Comprou Quem (e depois vendeu)
Compradora original: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Adquirida: Gana Internet S.A., portal de conteúdo financeiro com atividade secundária de intermediação de negócios financeiros/empréstimos.
Datas: aquisição de 51% em julho de 2020; compra dos 49% remanescentes (da Mobills Labs) em 10/09/2021; venda de 100% em 16/11/2022.
Comprador final: Lucas Tavares Vieira da Costa (pessoa física).
3. Os Números do Deal
- Compra dos 49% remanescentes (de Mobills Labs, set/2021): R$1.000.000
- Ganho de compra vantajosa reconhecido (CPC 15(R1)): R$1.353.000
- Venda de 100% da Gana (nov/2022): R$2.000.000
Valor da aquisição original dos 51% (jul/2020) não detalhado com quadro de alocação de preço nas notas consultadas.
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Sócia original: Mobills Labs Soluções em Tecnologia Ltda., detentora de 49% até a venda de sua fatia à Méliuz em 2021. Total captado / valuation pré-deal: não localizado nos documentos públicos consultados.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis (2020)? Diversificação para conteúdo editorial de finanças pessoais, capturando tráfego orgânico complementar ao cashback.
Por que vendeu (2022)? A venda por um valor baixo, sem fato relevante dedicado, sugere um ativo não-core dentro de uma limpeza de portfólio que a Méliuz também fez com outros ativos financeiros no período 2022–2023.
Riscos: baixa materialidade tornou o ativo prescindível diante de prioridades estratégicas maiores (Bankly, Picodi).
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
A venda por R$2.000.000 é consistente com o padrão de desinvestimento em ativos não-core que a Méliuz adotou a partir de 2022, encerrado com a venda muito maior do Grupo Acesso/Bankly em novembro de 2023.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- Qual foi o valor pago pelos 51% originais em julho de 2020?
- Quem é Lucas Tavares Vieira da Costa e qual seu histórico com a Gana?
- A Gana Internet segue operando sob nova gestão?
8. Fontes Consultadas
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2021, Méliuz S.A.
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2023, Méliuz S.A.
Deal 6 — Méliuz × Grupo Acesso (Acessopar + Bankly)
1. O Deal em Uma Frase
A Méliuz anunciou a compra do controle do Bankly por R$324,5 milhões em novembro de 2021, no auge da valorização de sua ação — mas a queda de ~90% no papel entre o anúncio e o fechamento (maio/2022) reduziu o valor contábil final da combinação de negócios para R$197.421.000, quase 40% abaixo do anunciado.
2. Quem Comprou Quem
Compradora: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Adquirida: Acesso Soluções de Pagamento S.A. (“Bankly”), banking-as-a-service, e sua holding Acessopar Investimentos e Participações S.A.
Data do anúncio: novembro de 2021.
Data do fechamento: maio de 2022.
Percentual adquirido: controle da Acessopar + participação direta adicional de 35,33% no Bankly.
3. Os Números do Deal
- Acessopar — Contraprestação total: R$144.234.000 (troca de 62.685.126 ações Méliuz: R$122.863.000; ajuste de preço: R$18.198.000; earn-out estimado a pagar em 2025: R$3.174.000)
- Acessopar — ativos líquidos identificáveis a valor justo: R$62.215.000
- Acessopar — ágio: R$82.019.000
- Bankly (35,33% direto) — Contraprestação total: R$53.187.000 (via conversão de mútuos conversíveis em ações)
- Bankly — ativos a valor justo (incl. caixa R$333.041.000, intangível R$67.906.000): R$467.385.000
- Bankly — passivos assumidos: R$(371.583.000)
- Bankly — ativos líquidos identificáveis: R$95.802.000
- Bankly — ágio (fatia de 35,33%): R$19.337.000
- Total da combinação de negócios (valor de fechamento, mai/2022): R$197.421.000
- Valor anunciado em novembro/2021 (imprensa, base ação à época): ~R$324.500.000
- Mútuos conversíveis concedidos à Acesso pré-fechamento (jul/2021–fev/2022): ≈R$26.278.000
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Bankly: fintech de banking-as-a-service brasileira, oferecendo infraestrutura bancária (contas digitais, cartões, meios de pagamento) para outras empresas via API. Total captado / rodadas anteriores / investidores institucionais: não localizado com detalhamento nos documentos públicos consultados. Caixa próprio de R$333.041.000 identificado na aquisição evidencia uma operação já com volume relevante.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis? Verticalizar a oferta financeira: sair de “apenas” cashback/marketplace para oferecer conta digital, cartão e crédito próprios via infraestrutura do Bankly — tese de “super-app financeiro” que também explica a aquisição da Alter na mesma janela.
Por que não funcionou como esperado? A operação consumiu capital e atenção gerencial significativos em um negócio regulado, historicamente de baixa margem e alta necessidade de capital, em um momento (2022) de aperto de crédito e juros altos no Brasil — pressionando a rentabilidade do Bankly (prejuízo líquido total de R$4.764.000 em 2023, mesmo com receita líquida de R$75.060.000).
Riscos: negócio bancário regulado exige capital e compliance intensivos; concentração de caixa da Méliuz em um ativo de baixa liquidez; risco de execução em integrar dois modelos de negócio muito distintos.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
Não — é o maior deal e o único com pagamento predominantemente em ações, diferente do padrão em caixa+earn-out dos demais deals de 2021. Também é o único revertido integralmente (venda completa 18 meses depois).
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- Por que a Méliuz optou por permuta de ações (exposta a risco de mercado) em vez de estruturar parte relevante em caixa ou earn-out?
- A administração reconheceu publicamente a diferença entre o valor anunciado e o valor contábil final?
- Qual métrica embasou o valuation original de R$324,5 milhões?
8. Fontes Consultadas
- Nota 3 “Combinação de negócios”, DFP 2023, Méliuz S.A.
- Notas de mútuos com partes relacionadas, DFP 2021 e ITR 2T24, Méliuz S.A.
Deal 7 — Méliuz × Banco BV (venda de Acessopar + Bankly)
1. O Deal em Uma Frase
Dezoito meses depois de assumir o controle do Bankly, a Méliuz vendeu a operação inteira ao Banco BV por R$227.566.000 e devolveu praticamente todo o valor recebido aos acionistas via redução de capital — uma retirada estratégica completa do setor bancário regulado.
2. Quem Comprou Quem
Vendedora: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Compradora: Banco BV (Banco Votorantim).
Vendida: 100% da Acessopar e, indiretamente, 100% do Bankly.
Linha do tempo: Memorando de Entendimentos em 30/12/2022 → Contrato definitivo em 01/06/2023 → Aprovação do BACEN em 20/10/2023 → Fechamento em 27/11/2023.
3. Os Números do Deal
- Valor total da venda (pago no fechamento): R$210.000.000
- Ajuste de preço: R$17.566.000
- Valor total recebido: R$227.566.000
- Ganho na alienação das controladas (antes de impostos): R$43.168.000
- IR/CSLL sobre o ganho: R$(14.677.000)
- Receita líquida da operação descontinuada em 2023: R$75.060.000
- Resultado do exercício 2023 — Bankly: R$(23.896.000)
- Resultado do exercício 2023 — Acessopar: R$(12.559.000)
- Resultado do exercício 2023 — Eliminações: R$31.691.000
- Resultado do exercício 2023 — Total líquido: R$(4.764.000)
- Redução de capital aprovada (AGE 26/01/2024), paga em 11/04/2024: R$210.000.000 (R$2,41496025096 por ação)
4. O Contexto da Venda
A Méliuz manteve o Bankly como operação descontinuada (CPC 31/IFRS 5) durante 2023, à espera das aprovações regulatórias do BACEN. O ganho contábil de R$43.168.000 na venda contrasta com o resultado operacional negativo (R$4.764.000 de prejuízo em 2023) — o “lucro” veio da diferença entre valor de venda e valor contábil líquido dos ativos, não da rentabilidade do negócio em si.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz vendeu? Reversão da tese de “super-app financeiro” de 2021: o negócio bancário regulado provou-se consumidor de capital e gerador de prejuízo operacional recorrente, incompatível com a necessidade da Méliuz de preservar caixa em um ambiente de juros altos e maior disciplina de capital a partir de 2022.
Por que devolveu o caixa aos acionistas? Sinaliza reconhecimento explícito de que a diversificação bancária não fazia mais parte do plano estratégico — a Méliuz optou por retornar ao foco em cashback/marketplace em vez de redistribuir o capital em nova aquisição.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
É o único desinvestimento de grande porte no histórico da Méliuz. Junto com a venda da Gana (2022), sinaliza um período de “faxina” de portfólio entre 2022 e 2023.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- O Banco BV divulgou publicamente sua própria racionalização estratégica para a compra?
- Qual foi o critério para o “ajuste de preço” de R$17.566.000 sobre o valor-base de R$210.000.000?
- A decisão de devolver 100% do valor via redução de capital foi debatida com o mercado/analistas?
8. Fontes Consultadas
- Nota 24 “Operações descontinuadas”, DFP 2023, Méliuz S.A.
- Nota 22, ITR 2T24, Méliuz S.A.
- Nota 26 “Eventos subsequentes”, ITR 1T24, Méliuz S.A.
Deal 8 — Méliuz × Zoppy Tecnologia
1. O Deal em Uma Frase
Em vez de comprar o controle, a Méliuz fez um investimento minoritário pequeno e financeiro em uma startup de CRM para varejo — sinal de uma abordagem mais cautelosa de M&A após o ciclo Bankly.
2. Quem Comprou Quem
Investidora: Méliuz S.A. (B3: CASH3).
Investida: Zoppy Tecnologia Ltda., empresa de gestão de CRM voltada ao mercado de pequenos e médios varejistas.
Data: contrato assinado em 24 de abril de 2024.
Percentual adquirido: 19,4% (participação minoritária, sem controle nem influência significativa).
3. Os Números do Deal
- Valor do investimento: R$2.900.000
- Tratamento contábil: valor justo/custo (CPC 48), sem consolidação e sem equivalência patrimonial
- Saldo do investimento em 30/06/2024: R$2.900.000 (sem variação de MTM no trimestre)
4. A Adquirida: Quem Era Antes da Venda
Modelo de negócio: CRM para pequenos e médios varejistas. Total captado / rodadas anteriores / valuation pré-deal: não localizado nos documentos públicos consultados.
5. A Tese Estratégica
Por que a Méliuz quis? Exposição a um novo segmento (ferramentas B2B para varejo) sem o comprometimento de capital e risco de execução de uma aquisição de controle — modelo próximo de corporate venture capital.
Por que faz sentido? Reflete mudança de postura pós-Bankly: tickets pequenos, participação minoritária, sem consolidação — menor exposição a risco de integração.
6. O Deal Segue o Padrão da Compradora?
Não — é o único investimento puramente minoritário/financeiro da história de M&A da Méliuz analisada aqui, contrastando com o padrão de aquisição de controle visto nos outros 7 deals.
7. Perguntas que Ficaram Abertas
- A Méliuz tem opção de aumentar a participação na Zoppy no futuro?
- Há alguma parceria comercial operacional já em curso entre as duas empresas?
- Este investimento sinaliza uma nova fase de M&A mais conservadora para a Méliuz?
8. Fontes Consultadas
- Nota 1 “Contexto operacional” e Nota 8 “Investimentos”, ITR 2T24, Méliuz S.A.
- Nota 26 “Eventos subsequentes”, ITR 1T24, Méliuz S.A.
Síntese Final
Entre 2020 e 2024, a Méliuz executou 8 movimentos de M&A documentados em suas demonstrações financeiras: 6 aquisições (Picodi, Promobit, Melhor Plano, Alter, Gana-49%, Grupo Acesso), 2 desinvestimentos totais (Gana-100%, Acessopar+Bankly) e 1 investimento minoritário (Zoppy). O padrão evolutivo é claro: 2020–2021 foi uma fase de diversificação agressiva financiada pelo caixa do IPO, com ágio elevado sobre ativos líquidos pequenos (Picodi: ágio de 101% do investimento; Alter: ágio de 98%). A aposta mais ambiciosa — entrada em banking-as-a-service via Grupo Acesso/Bankly, R$197.421.000 investidos — foi revertida em menos de dois anos, com o capital devolvido integralmente aos acionistas via redução de capital. O ágio da maior aposta remanescente, a Picodi, foi integralmente baixado (R$79.752.000) no segundo trimestre de 2024. E o modelo mais recente, Zoppy, sugere uma postura de M&A mais conservadora daqui para frente: participações minoritárias, tickets pequenos, sem consolidação.
Relatório elaborado exclusivamente com base em documentos públicos: DFP 2021, DFP 2023, ITR 1T24 e ITR 2T24 da Méliuz S.A., obtidos diretamente do site de Relações com Investidores (ri.meliuz.com.br).