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SAFE ou Term Sheet: Como a Estrutura da Sua Rodada Afeta o M&A Que Vem Depois

Por Érico Freitas • 12/07/2026 • Leitura de 2 min

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Toda rodada de captação deixa uma marca no cap table que só aparece de verdade três, quatro anos depois — na hora de vender a empresa. Founders decidem entre SAFE e term sheet tradicional pensando em velocidade e custo de fechamento, e raramente avaliam o impacto disso no processo de M&A futuro.

1. O Que Cada Instrumento Deixa de Herança

Um SAFE (Simple Agreement for Future Equity) é rápido de assinar e não fixa valuation no momento do aporte — a conversão em participação societária só acontece em um evento futuro definido, normalmente a próxima rodada. Isso é ótimo para velocidade, mas empilhar múltiplos SAFEs com gatilhos de conversão diferentes pode criar uma cap table complexa, com cálculos de diluição que geram divergência entre os sócios exatamente no momento em que a empresa mais precisa de alinhamento: a negociação de venda.

Já uma rodada estruturada com term sheet e contrato de investimento tradicional fixa o valuation no momento do aporte, tornando a diluição mais previsível, mas exige mais tempo e custo legal para fechar.

2. Onde Isso Aparece na Due Diligence

Quando um comprador ou investidor entra na fase de due diligence para um M&A, uma das primeiras coisas que a assessoria jurídica reconstrói é o histórico completo de captação: quantos instrumentos convertíveis existem, quais são os gatilhos de conversão, se há cláusulas de lock-up, non-compete ou preferências de liquidação conflitantes entre investidores de rodadas diferentes.

Cap tables com muitos SAFEs empilhados de rodadas informais — comum em captações via anjos ou rodadas-ponte feitas às pressas — costumam gerar mais perguntas e mais tempo de negociação do que cap tables limpas, com poucos instrumentos e documentação padronizada.

3. O Que Fazer Diferente Antes da Próxima Rodada

Não existe instrumento “errado” — SAFE e term sheet resolvem problemas diferentes em momentos diferentes da empresa. O erro mais comum é não documentar com clareza os termos de conversão e deixar isso para “resolver depois”. Antes de assinar a próxima rodada, vale a pena simular como aquele instrumento vai aparecer na cap table dentro de três anos, no cenário de uma venda.

Manter um data room organizado desde a primeira rodada — com todos os contratos de investimento, atas e cap table atualizada — é o investimento de tempo que mais se paga quando a conversa de M&A finalmente chega.

Sobre o autor

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Érico Freitas

Sócio fundador da Outlier Partners e sócio do Founders Club. Mais de 12 anos de experiência em venture capital e M&A, com participação em mais de 43 transações apoiando founders na estruturação financeira, fundraising e processos de M&A.

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